As restrições da Caixa e o cenário ainda desafiador no médio e alto padrão fizeram novas vítimas entre as incorporadoras.
Na contramão do mercado, as ações de Direcional, Melnick e Plano&Plano operavam em fortes quedas de 6% a 7% hoje, com os investidores repercutindo negativamente as prévias do terceiro tri.
A Even, que também publicou os números operacionais ontem, é menos penalizada que os pares e chegou a operar em alta mais cedo, mas inverteu o sinal e cai 2% por volta das 14h.
Para as duas incorporadoras do segmento econômico, boa parte do mau humor está ligado a uma alta nos distratos que prejudicou as vendas do tri.
Na Direcional, por exemplo, os cancelamentos saltaram 50% na comparação com o mesmo período do ano passado, representando 20% das vendas brutas.
Com isso, as vendas ficaram em R$ 1,3 bilhão no trimestre, queda de 20% na base anual.
Para o Itaú BBA, a queda reflete distratos forçados em projetos afetados por restrições de programa regionais de subsídio e um volume menor de lançamentos.
Mas a principal pedra no sapato da companhia são os ruídos vindos da Caixa, como os critérios mais rigorosos para concessão de financiamentos e a greve de funcionários em setembro.
Esses fatores também afetaram a performance da Plano & Plano.
Os distratos representaram 25% das vendas no trimestre, contra 8% no mesmo período do ano passado.
O resultado dos cancelamentos maiores foi uma queda de 24% nas vendas líquidas, que totalizaram R$ 775 milhões – 31% abaixo do previsto pelo BBA.
A Plano&Plano registrou ainda uma queima de caixa de R$ 153 milhões no trimestre, contra expectativa de geração de R$ 50 milhões.
Considerando os números das duas empresas e de outras incorporadoras do segmento econômico que já publicaram resultados nesta semana – como Cury e Tenda, que também acusaram o impacto da Caixa nos distratos e vendas –, o Itaú diz que as perspectivas para o setor estão menos favoráveis do que em anos anteriores.
Mas o banco espera números melhores nos próximos meses e manteve a recomendação de compra para Direcional e Plano&Plano.
“Acreditamos que os resultados foram parcialmente impactados por fatores pontuais a velocidade de vendas deve se estabilizar em patamares mais saudáveis daqui em diante,” escrevem os analistas.
No médio e alto padrão, por outro lado, um dos principais desafios é a venda do estoque. A Melnick, por exemplo, vendeu apenas R$ 91 milhões no tri, queda de 38% na base anual e velocidade de vendas de 6% – contra 10% um ano atrás.
A incorporadora também pisou no freio nos lançamentos, colocando apenas um projeto na rua no terceiro tri. O VGV lançado ficou em R$ 23 milhões, queda de 81% na base anual.
“Esperamos que os lançamentos voltem a acelerar no próximo trimestre, tanto nos segmentos de média e alta renda quanto no de baixa renda,” diz o BTG Pactual, que manteve recomendação neutra para a ação da Melnick.
Já a Even lançou dois projetos de altíssimo padrão em São Paulo, mas o VGV lançado também caiu 84%, para R$ 231 milhões.
Para o BTG, a incorporadora apresentou um desempenho fraco de vendas tanto dos lançamentos, quanto dos estoques – com VSO de 9% e 5%, respectivamente.
As vendas brutas recuaram 73% ante o terceiro tri de 2025, para R$ 242 milhões, enquanto os distratos ficaram em R$ 57 milhões, o que implica R$ 185 milhões em vendas líquidas – queda de 78% no ano e 41% abaixo do previsto pelo banco.
“Apesar de ser negociada a múltiplos descontados, mantemos recomendação neutra para a Even, pois os níveis de estoque estão elevados e a dinâmica de resultados deve permanecer fraca,” diz o BTG.




