O entorno da Rua Oscar Freire e o bairro de Pinheiros estão se transformando em uma extensão dos Jardins, a região mais tradicional do mercado de altíssimo padrão em São Paulo.
Essa é a visão da Cyrela, que espera que o perímetro se transforme no polo mais valorizado da cidade e lançou cinco empreendimentos por lá nos últimos seis anos.
O mais recente deles, o The One, anunciado nesta semana, será o prédio mais alto da rua, com 150 metros de altura e um VGV de R$ 800 milhões.
Para a incorporadora, a região passa por uma transformação similar a que ocorreu na Rua Augusta, que virou solo fértil para a construção civil após a última revisão do Plano Diretor.
“A Augusta era uma rua de comércio simples e hoje tem escritórios, vários empreendimentos imobiliários e está mil vezes mais bonita, valorizada e desejada,” disse Efraim Horn, CEO da Cyrela.

Em ambos os casos, o gatilho para a mudança foi a transformação de Zonas Mistas em Zonas de Eixo de Estruturação da Transformação Urbana (ZEUs) – que aumentam o potencial construtivo dos terrenos.
Além disso, a ampla oferta de transporte, serviços e comércio também atrai o olhar dos incorporadores para a região, que tem potencial para atrair tantos moradores quantos escritórios.
A própria Cyrela está construindo sua nova sede na região, em um prédio no no cruzamento da Rua Oscar Freire com a Avenida Doutor Arnaldo que será compartilhado com o Nubank.
“Os Jardins eram um bairro velho, de decadência chique. Hoje já há prédios novos, comércios e investimentos,” disse Horn. “Pinheiros é a mesma coisa. Passou a ser uma nova parte dos Jardins e vai ser a região número um de São Paulo em termos de valorização.”
Para Horn, isso não significa que as lojas de grife que fizeram a fama da Oscar Freire serão substituídas por prédios. Até porque morar na própria rua é mais caro – o metro quadrado pode chegar a R$ 55 mil.
Do ponto de vista comercial, a rua também foi a via de luxo que mais se valorizou no ano passado, com preços de locação US$ 120 por m² no trecho que corta os Jardins.
Por isso, a incorporadora tem lançado também nas ruas no entorno. “Estar 200 metros para cá ou pra lá muda pouco na decisão macro de vida das pessoas, mas o metro quadrado custa abaixo de R$ 25 mil,” disse o CEO. “Você tem a mesma infraestrutura por menos da metade do preço.”




