A ação da Lavvi está despencando depois que o balanço do segundo tri mostrou queda no lucro e alta no distratos, com a empresa apontando “dificuldades financeiras enfrentadas pelos clientes.”
Por volta das 15h, o papel caía 7% para R$ 9,80.
No segundo tri, o lucro líquido da incorporadora focada em médio e alto padrão recuou 30% em relação ao mesmo tri do ano passado, para R$ 83 milhões – número 10% abaixo da projeção do Itaú BBA, mas 13% acima da estimativa do BTG.
Além disso, a margem líquida caiu de 24,6% para 16,7% em um ano e o ROE baixou de 28% para 24%, enquanto o Ebitda ajustado registrou uma queda de 6%, para R$ 137 milhões.
A empresa – que é controlada pela Cyrela e foi fundada pelos irmãos Ralph e Moshe Horn – disse que a redução da margem na comparação anual decorre principalmente do aumento das despesas comerciais relacionadas ao lançamento do Jardim da Hípica e do crescimento das despesas financeiras após a emissão de um CRI em dezembro.
Também chamou a atenção do mercado que a dívida líquida como proporção do patrimônio líquido subiu para 30,8% no segundo tri, de 28,8% no tri anterior. A dívida líquida somou R$ R$ 525 milhões.
A companhia – que atua principalmente em São Paulo – também viu os distratos crescerem 94% em um ano, para R$ 122 milhões, correspondentes a 123 unidades, num momento em que os juros altos têm sido uma barreira para as incorporadoras que atuam no médio/alto padrão.
“Os casos registrados tiveram como principal razão o endividamento e dificuldades financeiras enfrentadas pelos clientes, refletindo o cenário macroeconômico desafiador,” disse a companhia.
Apesar da reação do mercado, os analistas mantiveram uma visão positiva sobre a companhia.
O BTG Pactual, por exemplo, ressaltou que a margem bruta – de 37,5% – subiu 1,3 ponto percentual em relação ao nível de um ano antes e 1,9 p.p acima da projeção do banco.
Embora o mercado de média e alta renda continue pressionado pelos juros elevados e pelo aumento dos estoques em São Paulo, tanto o BTG quanto o Itaú seguem vendo a Lavvi como uma das incorporadoras mais bem posicionadas do setor, apoiada pela qualidade do pipeline, pela execução dos projetos e pelo aumento da exposição ao Minha Casa Minha Vida.
“O cenário macro continua desafiador. Ainda assim, esperamos que a Lavvi continue superando os concorrentes,” escreveram os analistas do Itaú BBA.
A companhia lançou R$ 1,4 bilhão em empreendimentos no trimestre, alta de 8% em um ano, enquanto as vendas líquidas cresceram 12%, para R$ 875 milhões.
Já a receita líquida somou R$ 495 milhões, alta de 3% em um ano.
O BTG manteve recomendação de compra e destacou que a ação negocia a 3x o P/E para 2027, enquanto o Itaú reiterou a recomendação outperform e estimou múltiplos de 1,4x o P/TBV e 5x o P/E ajustado para 2026.
A Lavvi vale R$ 1,9 bi na Bolsa.




