O TikTok virou loja – e já atrai os corretores de imóveis

O TikTok virou loja – e já atrai os corretores de imóveis
Rafael Balago |

O TikTok está ganhando força como espaço de vendas – até para apartamentos. 

A Imvester, uma imobiliária e gestora de investimentos de São Paulo, colocou uma equipe de corretores para fazer lives na plataforma e oferecer imóveis. Cada evento dura o dia inteiro, e as pessoas se revezam na apresentação. 

Em agosto veio a primeira venda: um estúdio em Maragogi por R$ 350 mil. Ao ver a transmissão, um espectador mandou uma mensagem privada ao vendedor e fechou a compra.

“Além de vender, a live treina o meu corretor, porque deixa ele mais afiado sobre os detalhes do produto,” Paulo Motta, o CEO da Imvester, disse ao Metro Quadrado.

Motta se animou com o resultado e virou sócio da Tríade, uma agência de criadores de conteúdo que vendem produtos. A partir de agora, esses influenciadores também vão anunciar imóveis em suas lives e receberão uma taxa fixa por lead que virar venda. O negócio será fechado depois por um corretor habilitado. 

O avanço das ofertas de imóveis no TikTok é mais uma face de uma grande mudança nessa rede social, que se volta ao comércio eletrônico. 

Em 2023, foi criado o TikTok Shop, uma plataforma de e-commerce em que os produtos são apresentados em vídeos e transmissões. Os vendedores tiram dúvidas dos clientes ao vivo e a compra e a entrega são intermediadas pelo app. 

O modelo é chamado de “Compra por Descoberta”. O usuário rola o feed, se depara com uma recomendação de produto no meio do conteúdo e, com poucos toques, compra sem precisar sair do aplicativo. 

Nos EUA, a consultoria Emarketer espera que o TikTok Shop atinja US$ 23,4 bilhões em vendas em 2026, alta de 48% em um ano, conforme grandes marcas, como Sephora e Best Buy, investem no canal.

No Brasil, o BTG estima que o TikTok Shop movimentará cerca de R$ 20 bilhões em 2026. A plataforma foi lançada no País em maio de 2025. 

“A grande audiência brasileira nas redes sociais, o forte engajamento com criadores de conteúdo e o ecossistema de marketplaces já estabelecido oferecem um terreno fértil para o modelo,” afirmam os analistas do banco. 

No mercado imobiliário, o TikTok trabalha há alguns anos com campanhas de empresas brasileiras, como Quinto Andar, Loft e MRV, mas apenas com exibição de anúncios. 

O TikTok disse ao Metro Quadrado que possui 134 milhões de usuários no Brasil, com idade média acima de 30 anos, faixa etária com maior interesse em negócios imobiliários.

A empresa não vende propriedades por meio da plataforma TikTok Shop, e as ações dos corretores são feitas por lives e postagens. 

“A construção de marca e os conteúdos no TikTok impulsionam as vendas offline ou por outros canais. É o que chamamos de halo effect,” disse a empresa. 

Do outro lado da tela, os compradores também estão usando mais essa rede.

Segundo o Índice de Confiança do Mercado Imobiliário, da Loft, o app chinês teve o maior aumento na preferência entre junho e setembro deste ano: passou de 29% para 43% de uso entre os brasileiros que buscam imóveis nas redes sociais. 

“Isso indica que novos formatos de conteúdo, como vídeos curtos mais informais, estão sendo incorporados já nas etapas iniciais da jornada de decisão imobiliária,” Fábio Takahashi, o gerente de dados da Loft, disse ao Metro Quadrado. 

De acordo com a Loft, cada pessoa usa três redes diferentes para buscar imóveis. Facebook, Instagram e WhatsApp lideram essa lista. 

A pesquisa mostrou ainda que os clientes estão usando mais o chat para avançar nas negociações. 

“Para as imobiliárias, isso reforça a importância de estruturar um atendimento ágil nesses canais,” afirma Takahashi. Afinal, enquanto se espera uma resposta, muita gente prefere ver vídeos na rede ao lado. 

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