Em Beverly Hills, os compradores de um projeto de ultraluxo de US$ 10 bilhões também estão ajudando a financiar o empreendimento, mesmo com rendimentos menores que o Tesouro americano e riscos maiores.
Até agora, todos os compradores de apartamentos no One Beverly Hills, um projeto com 150 unidades previstas para serem entregues em 2029, também toparam comprar os Founder Bonds – como estão sendo chamados os títulos de dívida para financiar a construção –, segundo fontes a par do assunto ouvidas pelo The Wall Street Journal.
A desenvolvedora por trás do projeto, a inglesa Cain, já levantou US$ 350 milhões com essa estratégia e quer elevar essa cifra para US$ 1,6 bilhão.
A firma não precisa vender mais Founders Bonds para concluir o projeto, mas utiliza os recursos para reduzir o uso de capital próprio.
Os Founders Bonds oferecem um retorno de 5% para os investidores. Essa taxa inicialmente superava o título de 10 anos do Tesouro americano, usado como referência de investimento “livre de risco” no mercado. Nas últimas semanas, porém, o retorno subiu e chegou a bater 5,35%, o nível mais alto em 24 anos.
Os Founder Bonds também ficam atrás de outros empréstimos feitos pela Cain na fila de prioridade de pagamento, como um crédito sênior de US$ 2,8 bilhões com o JP Morgan.
“Eles estão recebendo uma quantia pequena para assumir um risco elevado. Mas, por serem do segmento de luxo, são capazes de tolerar melhor o risco,” disse um pesquisador de real estate da Cornell Law School ouvido pelo WSJ.
Outro fator que explica a decisão de ajudar a financiar diretamente o projeto são os níveis de preço de vendas recentes – US$ 7 mil por pé quadrado, mais de US$ 2 mil acima do recorde anterior para condos em Los Angeles.
Os valores são possíveis graças às características de ultraluxo do projeto, que inclui lojas de marcas como a Dolce & Gabbana e terá a Aman, uma das principais operadoras de hotéis de luxo do mundo, na administração dos apartamentos.
“Oferecemos vistas de 360 graus que não podem ser obstruídas, hectares de jardins e um nível de privacidade e serviço que permite desfrutar de casa sem ter de gerenciar tudo,” disse Jonathan Goldstein, diretor executivo da Cain.
Apesar da longa lista de amenities, os riscos aos compradores podem ser maiores que o previsto. As vendas de condos em Los Angeles atingiram mínimas históricas em agosto e muitos projetos não conseguem atingir os preços almejados pelos desenvolvedores.
No Beverly Hills Mandarin Oriental, por exemplo, o incorporador teve que vender o estoque em bloco a um investidor no ano passado, após deixar de pagar um empréstimo de US$ 200 milhões.




